Evangelize o seu vizinho antes que uma seita herética o conquiste
Pr. Gesiel Gomes
 
 
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IGREJA EVANGÉLICA ASSEMBLÉIA DE DEUS
CAMPO DE JUAZEIRO ESTADO DA BAHIA

PRESIDENTE : Pr. manoel Marques de Souza
VICE-PREIDENTE: Pr. Jair Silas Alves de Souza
COPASTOR (SEDE) : Pr. e Miss. Marcos Cunha

AUTOBIOGRAFIA
PR. MANOEL MARQUES

DA CONVERSÃO AO MINISTÉRIO DA PALAVRA ATÉ OS DIAS ATUAIS
(foto recebendo o título de cidadão)

Pastor Manoel Marques de Souza, pastor da Igreja Evangélica Assembléia de Deus, aceitou a Jesus como seu Salvador em agosto de 1942, no sítio Tamanduá, no Buri, município de Cipó Estado da Bahia, Brasil.

CONVERSÃO À JESUS CRISTO
Ao ouvir pela primeira vez a pregação do santo Evangelho, por José Marques Sobrinho e sua irmã Maria Marques, meus primos, os quais vieram da Assembléia de Deus em Fortalecida, município de Uruçuca, no Sul do Estado, eu, meus pais, meus irmãos éramos de uma família católica praticante, mas Deus sabe trabalhar nas vidas das pessoas que têm sede de salvação dando-lhes oportunidade para arrepender-se do pecado e aceitar o Senhor Jesus como Salvador. Foi isto que aconteceu comigo e minha família. Quando Deus nos deu esta oportunidade eu tinha 14 anos de idade e estava preparando-me para ser crismado na Igreja Católica, fazer a confirmação da primeira comunhão. Aconteceu, porém, diferente, pois no dias 25 de setembro de 1943 fui batizado por imersão no rio Itapicuru, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo conforme Mateus capítulo 28 e versículo 19, pelo então presbítero Euclides Arlindo da Silva, de Salvador, capital do Estado da Bahia.. Na ocasião foram também batizados minha mãe, minhas irmãs e outras pessoas. Fomos os primeiros crentes no Norte do Estado da Bahia. Somente em Curaçá e Juazeiro já existia a Assembléia de Deus, naquela data.

Depois de batizado comecei a viajar com os obreiros na evangelização, especialmente com nosso primeiro pastor, Manoel Joaquim da Silva. Depois tendo sido transferido para Feira de Santana, foi enviado para o Campo de Nova Soure e Cipó, o Evangelista autorizado, Luiz Santana Santos; este passou pouco tempo conosco , sendo substituído pelo Pastor Luiz Silva Santana. Todos estes já dormem no Senhor.

CHAMADA DIVINA PARA O MINISTÉRIO
Foi no pastorado de Luiz S. Santana que Deus me fez sentir algo que eu não estava entendendo; sentia desejo de sair de minha terra, mas sem saber para onde e o que fazer. Tentei conseguir um emprego, iniciar um comércio em sociedade com certo irmão e amigo, mas nenhuma destas atividades preenchia meu desejo de viajar, que não fosse para a obra do Senhor.
Um dia feliz, fugindo ao meu costume, levantei-me, no templo, em pleno culto, em Nova Soure, e saí, debrucei-me no muro pelo lado de fora e orei: “Senhor, tira-me daqui pelo menos um ano!” Voltei para o meu lugar.
Naquela mesma semana, se não me falha à memória, recebi uma longa carta do pastor Manoel Joaquim da Silva, informando-me as bênçãos no Campo de Feira de Santana e convidando-me para ir trabalhar com ele, a fim de tomar conta de um trabalho recém-aberto no interior do município de Santo Estêvão, em um povoado chamado Cavunge. Em sua missiva dizia: “Não lhe prometemos nada”. Ao terminar de ler a respectiva carta, passei a entender o que vinha sentindo: Deus estava preparando-me para fazer como Abrão; sair da minha terra, do meio da minha parentela, para um lugar completamente desconhecido para mim. Fiz o que devia fazer. Participei à minha família, preparei a mala e saí passando por Euclides da Cunha onde despedi-me do Pr. José Marques dos Santos, meu tio (foi o primeiro obreiro naquele Campo, cuja sede era em Algodões), daí então continuei viagem até Feira de Santana; Foi no dia 28 de novembro de 1948.

Em Feira de Santana o Pr. Manoel Joaquim recebeu-me, apresentando-me à Igreja, a qual funcionava na Av. Senhor dos Passos, em um salão alugado. Em seguida em vez de levar-me para Cavunge, levou-me para a “Cidade Heróica”, Cachoeira, porque houve uma dificuldade interna naquela Congregação. Aí deu-me posse como dirigente oficial , apesar de haver nessa igreja dois bons irmãos que cooperavam: Dc. Rafael Tosta e Waldomiro Alves da Silva; fiquei um tanto acanhado por não ser separado para o diaconato nem ao presbitério e nunca tinha dirigido, oficialmente, congregação alguma, mas quando Deus chama também prepara e cuida!

Foi feito uma reunião com a Igreja em Cachoeira para tratar sobre minha posse, mas não referiram-se aonde eu ficaria hospedado nem quanto receberia para meu sustento. Fiquei no salão da Igreja, nos cômodos que haviam nos fundos. Tinha cozinha, porém não o que cozinhar. Contudo, um casal idoso, aposentado da DANNEMAN, cuidou de mim espontaneamente por algum tempo até que a família do irmão Waldomiro Alves, que eram operosos membros da Assembléia de Deus, convidou-me para ficar com eles; não me faltou nem alimento, nem dormida e roupa lavada, passada. Depois, a Igreja passou a dar-me mensalmente uma ajuda de CR$30,00 ou mil reis, não tenho nítida lembrança do valor, para que eu cortasse o cabelo, lustrasse os sapatos e fizesse pequenas viagens de trem...

NOVA EXPERIÊNCIA

Certo dia eu, o irmão Waldomiro, seu irmão Jeová, estávamos em um povoado chamado Cabeças, hoje Governador Mangabeira, esperando a hora do culto, quando apareceu o Pastor do Campo de Feira de Santana, Pr. Manoel Joaquim, convidando-me para acompanhá-lo porque eu teria que viajar para Caculé, atendendo a um convite da Assembléia de Deus em Salvador, em conseqüência de um problema surgido naquela igreja e não tinham outra pessoa a fim de enviarem para lá. Deixei os irmãos ali em Cabeças, fui arrumar a mala, nem tive tempo para despedir-me da Igreja. Em determinado momento naquela noite tomei o trem que só ia até Contendas, o restante da viagem tive que prosseguir em pau-de-arara, caminhão que conduzia nordestinos para São Paulo.

Em Caculé havia uma pequena congregação. Comecei a viajar visitando assim a Região, Rio do Antonio, Urandi, etc. A maior congregação era no Rio do Antonio; em Caculé, um casal cuidou de mim: a irmã “Jovem” e seu esposo, irmão José Sereno, ” ex-cabra” de Lampião, o qual explicou que a história do fim do cangaceiro foi outra ...

Não tendo assistência por parte da Igreja e do ministério de Salvador, o pastor de Feira de Santana, convidou-me a voltar a este Campo. Sem recurso para pagar o transporte, conseguir vir até Contendas onde o chefe da Estação de Trem deu-me uma passagem de indigente. Ao chegar em Cachoeira prosseguir no mesmo dia a viagem, em um trem que fazia percurso à Feira de Santana. Aí cheguei no horário do culto. Estava empoeirado, cabelos crescidos, roupa estragada na altura dos joelhos, ainda assim fui apresentado à Igreja. Fiquei constrangido, mas venci. Uma irmã por nome Dulce, ao contemplar o meu estado chorou. No dia seguinte fomos ao Campo de Cavunge para o qual o pastor me havia convidado na carta que me fizera quando ainda estava em minha terra natal. Foi uma prova humilhante. Era tempo de chuvas pesadas, havia muita lama ; meu sapato tinha solado de pneu, com a lama os dois pés despregaram : Ficou mais feio ! As calças estavam fracas e os bicos de velame (planta regional com espinhos agudos) rasgaram ambas as pernas, ficou parecendo uma saia. Foi assim que fui empossado pelo pastor em uma das congregações de Cavunge. Contudo, fui ricamente abençoado e muito considerado. Depois tudo melhorou. Houve várias conversões e batismo com o Espírito Santo.
(Todos estes acontecimentos são narrados pelo Pr. Manoel Marques com entusiasmo e humor).

RECÉM-CASADO COM A JOVEM BENEDITA ALVES (foto Benedita enfermeira)
Tinha me tornado noivo da jovem Benedita Alves com quem casei-me. Recém-casados ela veio morar no povoado de Cavunge, um lugar muito pequeno, mas alegre ela fez boa amizade com a Igreja. Para trazê-la, aluguei uma casa, comprei alguns móveis. Eu recebia dos irmãos de Cavunge CR$50,00 ou mil reis nesta época, porém determinada família, um tanto abastarda, quase que nos adotou, na Fazenda Poções. Havia aí um bom número de crentes, algumas famílias de irmãos em Cristo.
Em Cavunge servi como Evangelista, aliás, fui o primeiro evangelista da Igreja Evangélica Assembléia de Deus em Feira de Santana. Visitava as Congregações de Italegre, Baixa Grande, Capela do Alto Alegre – do Riachão de Jacuípe dando assistência às mesmas. Autorizado pelo pastor, batizei 19 novos crentes na Av. Senhor dos Passos. Fui então, nesse tempo candidato à vice-presidente da Igreja em Feira de Santana, concorrendo com o Pb. Prachedes Zacarias. Este foi eleito com 23 votos à frente; ele morava na cidade, eu no interior; os irmãos julgaram bem através de seus votos.

INFLUÊNCIA DO PADRE DE STO. ESTÊVÃO
Em Cavunge houve um incidente com o Pe. de Santo Estêvão por Cavunge ser nessa época, seu município.
Uma irmã em Cristo faleceu na Fazenda Poções. Era o dia de feira-livre em Cavunge. Também dia de missa. O Padre soube que falecera uma crente e o cemitério ficava em Cavunge. A capela estava situada justamente por onde tínhamos que passar. Ele enviou dois recados para que voltássemos, porque aquele enterro no cemitério ele não aceitava. Ao receber as mensagens do padre animei os irmãos, era uma multidão; quando passamos em frente à Capela o povo que estava na missa sabendo que a pessoa falecida era a esposa de Franco, o vaqueiro afamado na região, abandonou a missa para acompanhar o féretro e também a multidão de feirantes indo ao cemitério. Quando lá chegamos tinham trancado e escondido a chave, porém um cidadão que havia doado o terreno para a construção do dito cemitério, chutou fortemente a porta abrindo-a à força. Entramos e começamos a cavar a cova, mas fomos impedidos pois o padre mandou fazer outra cova fora do cemitério, que não ultrapassava quatro palmos de fundura. Ele mesmo, o padre, pegou sozinho os pés do caixão e dois homens dele a cabeceira e fez um montão de barro para cobri-lo. A multidão, ante o ocorrido, se dividira, alguns políticos apresentaram-se para resolver a situação de qualquer maneira, porém eu disse-lhes, que como pastor do Campo de Feira de Santana, iria tomar as providências.

O Padre, antes, no meio da feira-livre, procurou me convencer. Aproveitei e li para ele um trecho bíblico, mas não deu importância. Um vaqueiro chamado Benedito fez uma zombaria e eu o repreendi. Então este sacou um canivete de cangaceiro, mas foi detido.
Tomei um transporte, fui à Feira de Santana. O Pr. Manoel Joaquim, então foi comigo a Santo Estêvão. Era Domingo e as autoridades não estavam trabalhando, porém uma pessoa importante da cidade disse-nos que o padre cometera grande erro e nós tínhamos poder para retirar o caixão a fim de sepultarmos o corpo no cemitério.
Reuni os irmãos em Cristo, os crentes da Congregação de Poções acompanharam-me até o povoado de Cavunge levando ferramentas necessárias para abrirmos a cova que havíamos iniciado no dia anterior. Do lado de fora do cemitério, onde se encontrava sepultado indevidamente pelo padre o corpo daquela irmã que falecera arranquei o caixão segurando sozinho a parte inferior e dois irmãos a cabeceira e realizamos o sepultamento dentro do cemitério.
Isto ocorreu em época de campanha política para prefeito. O Padre apoiava o candidato da ARENA, um médico, mas os crentes apoiavam o candidato do PSD, um negociante. Este foi eleito e ficamos em posição favorável e assim acabou aquela dificuldade até hoje.

CAMPO DE VALENTE

Fomos enviados de Cavunge para o Campo de Valente para servir como obreiro interino, quando fomos desligados de Feira de Santana e ligados à Convenção e mandados para Salinas, perto de Itaparica. Minha esposa, porém, ficou em Salvador. Também não permaneci naquele lugar por Ter sido designado logo para a Assembléia de Deus em Nazaré das farinhas, onde enfrentamos dificuldades financeiras. A Igreja pequena, estávamos substituindo o Pr. Luiz Santana Santos, solteiro, então a renda era suficiente para sustentá-lo, mas eu sendo casado e tendo nossa primeira filha, Hairan, recém-nascida, não dava. Os irmãos, no entanto nos ajudaram com pequenas feiras (Cestinhas básicas).
Certo dia, diante do aperto material, fiz uma carta para os dirigentes da Igreja em Salvador. Pr. João Batista e Miss. Eurico. Este era o teor: “Olhem, irmãos, não recebo dinheiro do município, do Estado nem da União. Tenho esposa e filha”. Assim mostrei-lhes que tinha responsabilidade... Mas, me arrependo de tal atitude. Eles responderam-me enviando-me CR$800,00 (oitocentos cruzeiros), que deu para sanar os compromissos, etc.
Tivemos até, muitas vezes, de ir a um lugar chamado Areal a fim de cuidar do trabalho do Senhor e aproveitar para chupar manga sem amadurecer e um tipo de ouricuri conhecido como “mané véio” por não termos em casa nada para comer ... Contudo, no fundo da casa, no quintal, havia um pé de chuchu que produzia bastante e alguns pés de quiabo dos quais sempre colhíamos frutos.

Um fato engraçado aconteceu em Nazaré certo dia: Fui comprar café em pó em uma venda (armazém), mas ao pedi falei “quero x de pó”; ao chegar em casa minha esposa abriu o pacote, sentiu o cheiro diferente. Era fumo em pó. Voltei para trocar, então o senhor negociante me explicou que em Nazaré havia torrefação de fumo porque o povo comprava o pó para “pitar” (cheirar) e mascar (chupar).
Apesar das dificuldades financeiras o pouco tempo que passamos ali Deus abençoou a sua obra. Um dia em um culto de pregação o Senhor me usou poderosamente ao entregar a mensagem que chamou a atenção de tal forma que grande multidão ocorreu ao local, enchendo a rua.

BARRA DE MUNDO NOVO
Este Campo estendia-se de Mundo Novo até Piritiba e Rui Barbosa.
De Nazaré o ministério da Assembléia de Deus em Salvador, precisamente a Convenção, enviou-nos para Barra de Mundo Novo, porque aconteceu uma divisão naquela Igreja, a qual pertencia antes a Assembléia de Deus em Jacobina. Quando chegamos ali ficamos hospedados por algum tempo com uma família da cidade até alugarmos uma casa em Barra; um pequeno trabalho existente na cidade de Rui Barbosa, apesar de haver vários irmãos espalhados pelo interior, em povoados, inclusive Lagedinho. Então resolvi mudar-me para Rui Barbosa até que Barra de Mundo Novo voltou a pertencer à Igreja em Jacobina ; o trabalho de Rui Barbosa então uniu-se ao trabalho de Itaberaba, onde já havia uma congregação a qual pertencia a Assembléia de Deus em Cruz das Almas, cujo dirigente era o casal José Manoel e Zefinha.

CAMPO DE ITABERABA (foto templo Itaberaba)
Fui o primeiro pastor do Campo de Itaberaba.
Chegamos com nossa primeira filha ainda bebê. A maioria de nossos filhos nasceu nesta cidade entre os dois períodos de meu ministério nesse Campo.
Assumi a Congregação de Itaberaba e entendi que ali era uma obra de futuro, já possuindo 14 membros e vários novos convertidos; por isto transferi-me de Rui Barbosa para Itaberaba tornando-a em sede do Campo, Campo este que abrangia os municípios de Itaberaba, Rui Barbosa, Itaquera, Utinga, Andaraí, Iaçú, Itaité, Boa Vista de Tupim. Só existia um pastor neste Campo. Eu tomava conta sozinho, sem possuir transporte próprio. Viajando à cavalo, em cima de cargas de cisal, de mamona até que conseguimos comprar uma bicicleta.
Saía de Itaberaba na Segunda-feira voltando para casa na Sexta-feira, depois de percorrer cerca de 200km levando uma pasta grande com roupas, livros, etc. Conseguimos, no entanto, abrir igrejas em Ponte Nova (Wagner), Utinga, Ôco-Dágua, onde construímos o templo com uma tarefa de terra; Itaité, aqui deixamos o templo na altura de madeira. A primeira vez que estive neste lugar viajei de Andaraí até chegar lá. A única família de crentes morava no centro da mata em uma pequena roça; cheguei já era noite, a casa tinha cobertura de casca de pau, feita de pau-a-pique, possuia um pequeno quarto, uma cobertura cheia de cachos de mamona, um pequeno fogo que logo se apagou . Dormi sobre os cachos de mamonas, o frio terrível não permitiu que eu conciliasse o sono. Os gorgulhos das mamonas me incomodavam por todo o corpo. No dia seguinte fomos a Itaité, aluguei um salão e estabelecemos a Igreja. Hoje é Campo autônomo.
Em Iaçú, fundamos a Assembléia de Deus; Boa Vista de Tupim, em um Domingo a tarde saimos num velho caminhão Studic com serviço de som à bateria e dirigimos o culto ao ar livre. Ao final dezenove pessoas aceitaram a Jesus Cristo como Salvador e todas permaneceram firmes. Aqui deixamos o templo já rebocado; Ponte Nova, também uma alegre congregação ficou implantada; Lagedinho, no Sítio Recreio Pentecostal construímos pequeno templo na propriedade do irmão Francisco Marques da Costa, a quem batizei nas águas, Jesus batizou-o com Espírito Santo, foi separado ao presbitério.
Passamos oito abençoados anos neste Campo morando na cidade de Itaberaba, sede do mesmo. Nesta primeira vez que trabalhei o templo atual (já houve reformas), ficou inaugurado.
Detalhe interessante: Surgiu no interior do município o movimento de uma milagreira, no povoado de Lagoa, que reunia até 300 caminhões de romeiros, afora os carros pequenos e trem. Isto provocou esperteza no pároco local para agredir aos protestantes. Chegou ao ponto de querer forçar-me a aceitar que a imagem da padroeira dormisse em minha residência. Por não recebê-la quase houve tumulto da multidão, porém Mata Pires, político naquela época, interviu de tal maneira evitando assim maiores constrangimentos. A Campanha tinha como meta angariar fundos para a pintura do templo. Na torre da Igreja havia alguns alto – falantes através dos quais o padre transmitia suas mensagens.

MARAVILHAS DIVINAS REALIZADAS NO CAMPO DE ITABERABA
Num Domingo pela manhã eu descia a Avenida Medeiros Neto indo para nosso salão de cultos ( não tínhamos templo ainda), então o padre estava transmitindo seu sermão fazendo grande ataque aos “Seguidores de Lutero, Calvino”, acrescentando o desprezo de nos congregarmos em um armazém.
Havíamos alugado uma casa de certo irmão, retiramos as paredes divisórias tornando-a em um espaço bem amplo, por isto o padre chamou o nosso salão de cultos de armazém enfatizando, em seu sermão, que eles, os católicos, tinham o grande e importante templo. Naquele momento, o Senhor me fez sentir e ver que o templo deles pegaria fogo. Conservei esta revelação de Deus comigo mesmo. Passado algum tempo vindo de uma das nossas congregações (Redenção, município de Andaraí, hoje cidade de Nova Redenção) de regresso à Itaberaba , sobre a carga de feijão do transporte em que viajava, um carro que passava em sentido contrário ao nosso, deu-nos a surpreendente notícia: “A Igreja Católica, a Matriz, pegou fogo”. Continuou explicando que estavam pintando a parte do coro (lugar alto como galeria) e encontraram ali “abelhas europa” tendo que queimar a colmeia. O mel escorreu misturando-se com a tinta. Pensaram que haviam apagado tudo, mas às altas horas da madrugada surgiram labaredas fortes. Acionaram os carros do DERBA, voluntários com carros particulares, porém não houve jeito, queimou tudo: bancos, móveis, imagens ficando apenas as paredes!!!

Ao ouvir aquela triste notícia lembrei-me da visão que tivera da parte de Deus quando éramos criticados, agredidos por sermões do pároco dessa Matriz.
O resultado foi que se passaram muitos anos para repararem o templo, enquanto isto nós saímos do salão para um bonito templo da Assembléia de Deus, à Rua Princesa Isabel e os cultos da igreja do Padre passaram a ser realizados em um antigo armazém da Sambra. Com Deus não se brinca nem se zomba!

Muitas coisas dignas, maravilhosas aconteceram no grande Campo de Itaberaba. Algumas tristes, como por exemplo, acidente de caminhão cheio de irmãos em Cristo, mas ninguém foi hospitalizado, graças ao Senhor!
A ameaça que sofri de um irmão por Ter sido chamado atenção devido a uma denúncia que o vulgo lhe fazia, acusação esta verdadeira, por isto tudo veio à tona... Este senhor foi à minha residência para agredir-me fisicamente; era um bom cooperador antes, amigo e de confiança. Quando saiu fui à sua casa, chamei-o até o quintal onde conversamos. Atendeu-me. Aconselhei-o biblicamente, então reconheceu o seu erro, “caiu em si” e chorando muito me pediu desculpas por sua ação. Depois de sofrer a disciplina corretiva da Igreja, reconciliou-se e passou a servir a Deus e à Igreja com mais dedicação que antes. Já passou para a eternidade firme na fé. Daquele Campo surgiram alguns obreiros.

SUBSTITUINDO UM GRANDE AMIGO - URUÇUCA
De Itaberaba, desta primeira vez que aí trabalhei, fui enviado pela Convenção à Uruçuca substituindo meu grande amigo Waldomiro Alves da Silva, que fora levado ao descanso eterno. O Pr. Severino Soares, então pastor em Ilhéus, empossou-me naquela bem doutrinada Igreja e abençoado Campo. Porém só permanecemos menos de um ano, pois minha esposa não se adaptou ao clima do Sul do Estado. Foi ali em Uruçuca que nasceu Jair Silas Alves de Souza, o primeiro filho do sexo masculino. Antes nasceram-nos somente filhas. Em sua gravidez, minha esposa, a irmã Benedita, sofreu muito com hemorragia em uma variz; foi algo muito triste! Mas Deus nos deu vitória usando os médicos Dr. Arnaldo Nascimento e Dr. João Piña.
Gostaria de mencionar também que, entre as muitas congregações no Campo de Uruçuca, uma funcionava no lugar onde estava sendo construída uma barragem, cujo dirigente era o Pb. Pedro Francisco e tivemos que sair de lá por conta do fechamento da dita Barragem. Por esta razão aluguei uma casa na cidade de Ubatã. Esta possuia uma sala ampla onde ficou instalada a congregação. Não havia trabalho estabelecido da Assembléia de Deus aí e nós, graças a Deus, o instalamos. Nessa casa o Presbítero Pedro Francisco ficou residindo com sua família.

VOLTANDO À CIDADE HERÓICA, CACHOEIRA
Saímos de Uruçuca para Cachoeira outra vez, mas desta feita como Pastor da Igreja. Esta não era mais filiada à Feira de Santana.
Foi uma grande bênção de Deus! Gozamos muita paz e prosperidade no trabalho. Conceição de Feira nesta época pertencia ao Campo de Cachoeira, havendo ali um presbítero muito dedicado ao trabalho do Senhor Jesus, irmão Adriano. Estava sendo construído o templo desta congregação quando saí de Cachoeira e então outra vez, voltei ao Campo de Itaberaba. Quando o templo de Conceição de Feira foi concluído, eu já estava em Itaberaba, mas fui convidado para sua inauguração. Atendi. Só que, nem sequer me apresentaram muito menos deram-me a palavra. Não estou lembrando quem era o pastor da Igreja, mas quem estava presidindo era o Pr. Rodrigo, de Salvador. Naquele tempo não havia Convenção organizada, oficial, por isto o pastor de Salvador é quem presidia, em nome do Ministério de todo o Estado.

DE VOLTA À ITABERABA
Trabalhei mais dois anos e meio no Campo de Itaberaba. Um dia estava cuidando dos meus deveres ministeriais, chegou um convite do Pr. Rodrigo convidando-me para assumir a direção da Assembléia de Deus em Medeiros Neto, extremo Sul da Bahia, cuja Igreja tinha sido emancipada. Sua vizinha, Itanhem, pastoreada nesse tempo pelo Pr. Luiz Maurício. O Novo Campo estava sendo cuidado por um presbítero, irmão Carlos Pereira (Dormiu no Senhor, no Campo de Camaçari, onde havia sido seu pastor). Pr. Luiz Maurício também já dormiu no Senhor há vários anos.
Em Itaberaba nasceu a maioria de nossos filhos.

 

CAMPO DE MEDEIROS NETO
Preparamos viagem para Medeiros Neto, fretando um caminhão para fazer a mudança. Imagine sair do Oeste ao Extremo Sul, uma família com catorze pessoas, no meio de uma mudança, sobre um caminhão. Minha esposa, Benedita, estava no meio da turma, todo mundo alegre, sorridente. Nem lembro a hora em que chegamos à cidade, porém que fomos muito bem recebidos. Aguardávamos a chegada do pastor da capital para nos empossar. Não chegou devido a um acidente com a rural da Igreja que o conduzia. Nessa circunstância o presbítero deu-me a posse.
Fomos abençoados em todo o Campo e na sede também. Compramos uma casa vizinha ao templo sede para ampliação do mesmo, porém não foi possível realizá-lo em conseqüência da falta de adaptação ao clima. Benedita começou a sentir dormência nas mãos. Ela fez grande amizade com os irmãos e irmãs ali; fundou uma escola para alfabetização de adultos, pois era alto o índice de analfabetos. Tudo ia tão bem, os irmãos com grande satisfação, mas tivemos que sair permanecendo nesse Campo menos de um ano.
Fomos transferidos para o Campo de Alagoinhas.

CAMPO DE ALAGOINHAS
Em Alagoinhas passamos seis anos. Foi em Alagoinhas que nasceu a nossa filha caçula, Ilziléia.
Chegamos nesta cidade à noite, o culto havia terminado, um irmão nos ajudou a descarregar a mudança, o presbítero Manoel Francisco com quem tínhamos trabalhado no Campo de Uruçuca. Ele dormiu no Senhor, como Evangelista.
Em Medeiros Neto morávamos no centro da cidade, em Alagoinhas fomos morar em um Bairro, numa casa desconfortada; em Medeiros Neto recebia CR400. 000,00 (quatrocentos mil cruzeiros), em Alagoinhas CR$200.000,00(duzentos mil cruzeiros); em Medeiros Neto encontrei um pequeno ministério unido, em Alagoinhas um ministério desunido e alguns de seus componentes afastados pelo Pr. Rodrigo, da Capital, em conseqüência da mal postura com o Pastor que me antecedeu; em Medeiros Neto encontrei uma Igreja recém-emancipada com quatrocentos membros em comunhão, em Alagoinhas encontrei uma Igreja de mais de trinta ou quarenta anos com cerca de trezentos membros em comunhão em todo o vasto Campo.
Trabalhamos naquela Igreja seis anos, abrimos Igreja em Entre Rios, deixando ali um templo, cento e quarenta matriculados na Escola Dominical, um templo no Rio Preto com um bom número de crentes; este trabalho teve início através da família de um militar oriundo de Salvador, também cooperou o irmão Bernardo. Em Inhambupe encontramos pequena congregação. Com o passar do tempo transferimos o trabalho para outro local, onde graças a Deus, deu bons frutos. Em uma fazenda um pouco distante de Inambupe abriu-se uma porta e aí deixamos um templo em fase de acabamento; em Pau Lavrado havia um templo iniciado pelo Pr. João Evangelista, o qual concluímos e inauguramos; em Sítio Novo levantamos um templo, mas o marceneiro que fez o telhado não foi hábil. Caiu. Tornamos a erguê-lo. Na sede mudamos portas e janelas, ampliamos quase o dobro ( na Praça Kennedy). Construímos um templo no Bairro do Barreiro. Estávamos negociando um terreno em outro Bairro para construir uma nova sede, não deu mais tempo, mas o Pr. João Evangelista que me substituiu adquiriu o dito terreno e construiu a tão desejada sede, por sinal um bom e grande templo.
Partimos de Alagoinhas por indicação da Convenção em janeiro de 1973. O Rol de Membros acrescido em mais trezentos membros perfazendo o total de seiscentos componentes. Não foi muita coisa, mas em compensação com os primeiros mais de trinta e cinco anos, foi um bom sucesso. Apesar disto houve um equívoco por parte de determinado informante de uma Revista da Convenção quando não incluiu os seis anos de meu pastorado no Campo de Alagoinhas.

CAMPO DE JUAZEIRO DA BAHIA
Chegamos em Juazeiro em janeiro de 1973, em substituição do Pr. Albino Teles, que está jubilado. Nunca havia pensado em pastorear a Igreja de Juazeiro, mas a obra é do Senhor, nós obreiros somos do Senhor e Ele age segundo a Sua soberana vontade. Então aceitei a proposta da Convenção e vim, mesmo porque estávamos em dificuldade no Estado da Bahia, com a rebelião da Igreja em Salvador, movida por seis presbíteros e dois auxiliares que conseguiram tomar a liderança de algumas congregações da Capital, das mais importantes, e tinham se apossado dos livros de Atas e de outros documentos da Igreja em Salvador. Dois cooperadores da Assembléia de Deus de Alagoinhas, inclusive um diácono, o dirigente do coral, havia assinado uma ata dos que haviam se separado. Esta atitude levou alguns cooperadores de Alagoinhas a exigir que a Igreja os disciplinasse, porém eu entendi que se fizéssemos isto com os dois auxiliares provocaria uma divisão, por esta razão preferi sair; como também o Pr. João, que sempre nos visitava, revelava que ainda voltaria para dirigir aquela Igreja, porquanto saíra sem Ter completado o seu tempo ali. Juntei estas razões, entendi ser melhor mudar-me e por isto vim para Juazeiro.
Ao chegar nesta cidade encontrei a Igreja abalada por um fato ocorrido com um presbítero que envergonhou a Igreja. O ambiente estava pesado, mas conseguimos superar tudo, em nome de Jesus, e o trabalho voltou ao curso normal, apesar das ameaças de morte por parte dos que estavam revoltados, pois a pessoa excluída ,na gestão do pastor que me antecedeu, por haver cometido assédio moral acompanhado de violência à uma jovem órfã, chefiava-os.
Certo dia viajei com o primeiro secretário do Campo, na época. Nosso carro deu problema. Em uma depressão a bateria subiu e pegou no capú, então a bateria descarregou e não voltamos para Juazeiro, por providência divina. Dois inimigos de Deus e meus, planejaram assassinar-me. Prepararam um chucho com duas letras na outra extremidade; dois MM. Era para me matarem com o chucho e me ferrarem. Depois desistiram. Creio que por ficar tarde. Fui livrado pelo Senhor. Bastante perseguido, caluniado, pensando eles que diante dessas coisas me envergonhariam e eu iria embora.
Havia um grupo na Igreja liderado pelo ex-presbítero, que segundo eles, pastor só poderia ficar aqui em Juazeiro o máximo três anos. Eles levantaram-se contra mim, usaram até cartas, duas cartas datilografadas, fizeram várias cópias cujo teor acusava-me de coisas terríveis, acusavam minhas filhas de práticas horríveis, caluniando-as na tentativa de defamá-las e que, segundo eles, eu apoiava. Estas cartas foram postadas à todas as congregações e para outros.
Tudo isto com o fim de que eu fosse embora, mas nada disto me abalou, porque tinha convicção que o Senhor me havia mandado para aqui fazer o que os outros não conseguiram durante quarenta anos.
O templo sede da Igreja aqui em Juazeiro tinha dezenas de anos. Media 6m x 14m, a madeira, caibros e ripas eram de mandacaru de faixo; na cidade só existiam dois templos. A sede e outro no Bairro do Piranga e um pequeno salão no Alagadiço. No de Piranga fizemos duas reformas: no comprimento e na altura, o piso e construímos um primeiro andar (uma casa). No Campo havia um salão em Sento Sé, outro na Mina das Cabeludas, outro em Juacema, um terreno com alicerces na velha Casa Nova e o templo de Curaçá, que foi construído no tempo do Missionário Oton Nelson; (foto Oton Nelson)também na sede uma casa anexa ao templo sede, à Rua Cel. Henrique Rocha, que vendemos para ajudar a construir a sede atual no Bairro Maria Gorette, `Rua Dr. Dewilson, que mede 11m de largura por 28m de fundo. Possui alguns departamentos no fundo e uma boa casa no primeiro andar. O templo possui galerias internas ao redor, porém se tornou pequeno para as reuniões de Santa Ceia e festas. Diante disto compramos um terreno com 2.500m2, onde estamos construindo um complexo sócio-religioso composto de 20 salas para diversos fins da Igreja, um auditório para eventos para 1.000 pessoas, santuário(templo) para 5.000 pessoas assentadas. Para tanto demos em troca do terreno um outro na Rua Dr. Dewilson que recebemos através de doação, o antigo templo com o terreno ao lado do Bairro de Piranga, etc. pois o grande templo situa-se a poucos metros deste Bairro .
Estamos servindo a esta Igreja há 34 anos; já emancipamos quatro congregações: Lage dos Negros no município de Campo Formoso, Pilar (Caraiba Metais) no município de Jaguarari, Sento Sé, Sobradinho. Na cidade de Juazeiro e municípios construímos 21 templos e 3 salões, em outros municípios 13 templos. São deste período os templos das emancipações, ao todo 43, todos construídos por nós, em nossa administração.
No início de meu ministério no Campo de Juazeiro só havia um ministro. Hoje somos 8 pastores, 3 evangelistas, 3 presbíteros com ação pastoral, 25 presbíteros auxiliares, mais de 2 dezenas de diáconos e a cooperação de 2 pastores jubilados.

Em 1973 quando assumimos a presidência do Campo de Juazeiro da Bahia havia pouco menos de 300 membros em todo o Campo. Já emancipamos 4 congregações com outras sub-congregações à elas vinculadas, mas ainda somos mais de 5.000 membros.

O Pr. Manoel Marques também tem contribuído de alguma forma nas atividades relacionadas com a Convenção do Estado; participou da elaboração do Estatuto da Convenção Estadual, da Igreja Evangélica Assembléia de Deus na Bahia; sendo vice-presidente da Convenção Estadual e seu primeiro e segundo secretário por diversas vezes, delegado junto à CEADEB, entre outras participações. Até então publicou alguns artigos no Mensageiro da Paz: Querubins; Não sejais Assim; Incenso, Incenso Santo e Aptos para Ensinar. Atualmente é integrante de um dos conselhos da convenção estadual.
Em novembro de 2007 fazem 59 anos em que o pastor Manoel Marques de Souza iniciou sua carreira ministerial e a ___ de janeiro de 2008 estará comemorando ____ de ordenação ao Santo Ministério da Palavra como Pastor da Igreja Evangélica Assembléia de Deus, Estado da Bahia, no Brasil.

 

Depositando neste endereço:
Bradesco, Agência no. 3045 - 07, Conta Corrente no. 52830 – 07 em nome da Igreja Evangélica Assembléia de Deus-Juazeiro/BA.
Você estará contribuindo com a construção do nosso novo templo sede em Juazeiro.

 
 

Igreja Evangelica Assembléia de Deus
Rua Dr. Dewilson, S/N - Maria Gorete Juazeiro[BA]
CEP: 48900-000 FONE: 74 3612-5770 E-mail: contato@assembleiadedeusjuazeiro.com.br
Suporte ao Site: angelosantos@angelosantos.net
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